Terceiro homem estuprado por Topher DiMaggio concede entrevista

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Topher DiMaggio

No fim de semana passado, o pornstar Tegan Zayne fez uma série de publicações onde ele acusa Topher DiMaggio de tê-lo estuprado na noite anterior a gravações de um video em 2016. Dois dias depois, um homem, que não está envolvido na indústria pornográfica, revelou ao site do aplicativo Hornet, uma acusação semelhante onde alega ter sido violentado pelo ator, também em 2016.

Hoje, um terceiro homem revelou também ter sido vítima do pornstar, e contou a sua história, no dia seguinte a declaração de Tegan.

O homem pediu para não ser identificado, e por isso será identificado pelo pseudônimo “Bryan”. O rapaz tem 33 anos de idade, e é da Califórnia. O episódio com Topher DiMaggio ocorreu quando ele tinha 32 anos, em Sacramento.

Abaixo temos a tradução da transcrição da conversa telefônica feita pelo blog americano Str8UpGayPorn:

Olá Bryan. Como e onde você conheceu Topher DiMaggio?
Bryan: Foi em Sacramento (Califórnia), em uma discoteca.

E quando foi isso?
Foi há cerca de um ano e meio, no verão de 2016.

E antes disso, você já o conhecia?
Certo. Eu entrei na discoteca naquela noite, e eu sou um desses caras que as pessoas conhecem. Toda a equipe (do estabelecimento) me conhece lá, e eu sempre fui muito amigo de todos. Então, eu fui ao barman, pegar uma cerveja e depois comecei a andar pelo espaço até avisar Topher conversando com alguém que eu conheço. Lembro-me de caminhar até a pessoa e dizer “Oi”, e então fui apresentado a Topher.

E Topher foi gentil?
Quando eu o conheci, ele disse: “Você sabe quem eu sou, certo?”. E eu respondi, “Não”. Pois, eu realmente não sabia quem ele era. Então, ele disse: “Eu sou Topher DiMaggio, da Andrew Christian. Eu estou em tudo da marca Andrew Christian. Eu fiz deles, quem eles são”, e eu tipo, “Ok”.

A medida que o tempo passava, havia grupo de pessoas que vinham; Topher e eu tínhamos amigos em comum. Lembro-me de pensar que ele sempre tinha um contato muito físico, não apenas comigo, mas com todos. É esse jeito brincalhão, mas ainda assim era estranho, que ele continuava a dar socos no meu braço.

E todos vocês estavam apenas saindo juntos no clube onde você o conheceu?
Sim. E um das coisas que me chamou atenção no relato de Tegan foi quando ele mencionou que Topher o menosprezava. Ele era exatamente o mesmo comigo, mesmo que tínhamos acabado de nos conhecer. Ele teve essa mesma atitude depreciativa que Tegan descreveu. Lembro-me de que lhe dei um elogio. Era algo sobre o seu corpo ou sobre ele estar em boa forma – e ele me disse algo do tipo: “Sim, eu sei. E você tem a metade do meu tamanho”

Depois de algum tempo, todos deixamos essa discoteca e fomos para outra. Foi aqui que eu sabia que havia algo de errado com ele. Estávamos na pista de dança e ele, de repente, tirou o pau e empurrou minha cabeça para a sua virilha.

Ele fez isso na discoteca?
Sim, bem no meio da pista de dança. Ele empurrou a minha cabeça pra baixo, como se eu fosse chupá-lo, e eu voltei para trás.

Ele estava bebendo demais ou consumindo drogas?
Ele estava bebendo sim, mas, mesmo que ele estivesse bêbado, obviamente, havia algo de errado. Todos nós já estivemos bêbados antes, mas não puxamos nossas paqueras para a pista de dança e empurramos a cabeça das pessoas para baixo. E depois, sim ele estava usando drogas. Ele estava usando cocaína.

A essa altura, você teve vontade de ficar com ele?
Não. Nada. Eu estava bastante bêbado, e quando eu estou bêbado, mesmo os garotos mais gostosos parecem feios para mim. Ficar é o mais distante da minha mente quando eu estou bêbado, e não consigo pensar em fazer sexo com ninguém. Eu estava, especialmente, não querendo sexo com ele.

Então, conforme a noite estava indo, era apenas você, ele e alguns amigos em comum saindo para se divertir a noite.
Isso, mas alguns voltaram para a casa de um amigo, e depois para uma boate.

E Topher também foi para a casa?
Sim, ele foi, e eu acho que havia outros dois com a gente.

O que aconteceu quando vocês voltaram para casa?
Foi aí que aconteceu, no banheiro da casa. Foi aí que ele ficou violento. Eu tive que fazer xixi, então fui ao banheiro, mas, ele me seguiu. Ele disse: “Eu também tenho que mijar”, e eu tipo “Dane-se”. Eu o deixei ir primeiro, e ele fez xixi. Então eu fui, e ele veio logo atrás de mim. A próxima coisa que eu me lembro, foi ele me empurrando contra a parede atrás do banheiro, e depois empurrou meu rosto, bem forte, contra a parede. Eu cortei o lábio, nesse momento, e senti o gosto de sangue.

Bryan alega ter sido estuprado por Topher DiMaggio
Bryan mostra os lábios cortados (Foto: Arquivo Pessoal/str8upgayporn/Reprodução)

O que você disse a ele, ou ele disse alguma coisa depois de ele ter te empurrado?
Ele continuou dizendo: “Está tudo bem, está tudo bem, está tudo bem”. E então, ele puxou minhas calças até em baixo. Lembro-se, eu aidna estava tentando fazer xixi, mas não podia. E então eu o senti atrás de mim, e eu percebi o que ele realmente estava tentando fazer. Então eu disse: “Não, não. Pare”, eu continuei dizendo “Não”. Então, eu disse: “Eu não sou passivo”, e continuava dizendo “não” novamente, e novamente ele disse “Não se preocupe. Está tudo bem”.

Você pensou gritar por socorro? Eu entendi que o banheiro era pequeno, e que você não conseguiu sair.
Havia outras duas pessoas na casa, mas não gritei. Pensei que poderia tentar empurrá-lo e o banheiro era espaçoso. Se eu tivesse conseguido empurrá-lo, eu teria escapado. Lembro-me da minha mão na cintura dele, tentando empurrá-lo, mas não funcionou. Ele estava me prendendo pelo peito com um braço, e com o outro segurava um dos meus braços, e eu realmente não consegui me mover. Nós estávamos de pé no banheiro, quando ele fez isso.

Quanto tempo durou?
Parecia ter sido um tempo longo, mas, eu acho que foi apenas 10 ou 15 minutos. Quando ele finalmente parou e ele me deixou, eu perguntei se ele tinha terminado, e ele respondeu: “Sim. Eu gozei duas vezes”, ele puxou as calças e saiu do banheiro.

O que você fez depois?
Eu me vesti e fui até o meu carro, e chorei até adormecer. Eu tive que ir ao trabalho no dia seguinte, e olhei para o meu rosto no espelho quando cheguei em casa, percebi que ele realmente havia me machucado. Foi quando eu tirei a foto.

Sem falar com as pessoas na casa, você foi direto para o carro.
Sim. A primeira pessoa que eu contei isso foi a minha mãe. Eu disse a ela que fui estuprado, mas que eu não sabia quem era. Eu acho que dizer que era um estranho, era a maneira mais fácil de dizer isso a ela. Enviei uma foto para a minha mãe e ela lamentou muito.

Você contou a mais alguém?
Eu disse aos meus companheiros de quarto e amigos. Mas, dizer as pessoas que fui estuprado me machuca mais do que a agressão real.

E você já pensou em ir à polícia?
Meu colega de quarto me levou à polícia, mas era tão difícil falar. Como eu, sendo um homem, poderia ser estuprado? Eles me disseram que eu precisava registrar um boletim de ocorrência, mas, eu nunca fiz. Eu estava lidando com uma batalha interior por meses, pensando que eu poderia ter insinuado algo para Topher que acabou resultado nisso. Eu o guiei para ele me dar o que eu recebi? Se eu fosse à polícia, eu poderia imaginar Topher dizendo: “Você queria isso. Você quem pediu”

Se Topher pedisse desculpas a você hoje, você aceitaria as desculpas dele?
Não. Porque eu não acho que ele vá se desculpar.

Você se preocupou com a possível transmissão de DSTs? Eu não perguntei mais cedo, mas, presumo que não houve o uso de preservativos.
Não. Nenhuma proteção. Fiz exames, e odos os resultados foram negativos.

Como tudo o que aconteceu com ele essa semana te faz sentir? Você está bem?
Eu fico feliz que essa história tenha sido exposta, porque essa é uma questão real, que outras pessoas precisam ouvir e saber. Passei meses preocupado com a minha reputação, ou como eu olharia para os outros se eles descobrissem, e eu tive medo de ser estuprado novamente. Mas, acho que aprendi a me sentir atraente e a me amar novamente.

Eu fui a um terapeuta após o ocorrido, para receber ajuda. E a única coisa que ela me contou que me ajudou foi que eu precisaria aprender a perdoá-lo, porque se eu carregasse iss comigo, eu ia destruir a minha vida. Então, eu o perdoo, mas, não vou esquecer.

Muito obrigado por contar a sua história, Bryan.
Obrigado

Se você foi, é ou conhece alguém que foi vítima de estupro ou agressão, procure a ajuda das autoridades competentes. Em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, existem delegacias especializadas no atendimento de LGBTs. Denuncie!

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